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terça-feira, 18 de junho de 2013

Assembleia de Deus completa 102 anos

Neste dia 18 de junho a Igreja Assembleia de Deus brasileira completa seu 102º aniversário.
Fundada em Belém do Pará em 1911 por um grupo de 16 pessoas liderado pelos missionários suecos Gunnar Vingren e Daniel Berg, a Assembleia de Deus é hoje a maior denominação evangélica do país e o segundo maior grupo religioso, perdendo em números apenas para a Igreja Católica. De acordo com o Censo 2010, mais de 12 milhões de brasileiros declaram-se assembleianos. A foto que ilustra esta postagem é do interior do segundo templo da denominação, construído na capital paraense em 1926.


O dia 18 de junho de 1911 é a data de realização do primeiro culto assembleiano, na casa de Celina e Henrique Albuquerque. Ali reuniu-se o grupo que daria origem à Missão da Fé Apostólica, posteriormente chamada de Assembleia de Deus. 

Apesar de sua força numérica, a Assembleia de Deus está fragmentada em uma série de ministérios independentes com presidência, administração e costumes próprios (para citar alguns exemplos temos os Ministérios do Belém, de Madureira, Ipiranga, Santos, Perus, Bom Retiro, entre outros). Tanto é que a denominação não conseguiu fazer uma festa unificada de seu centenário há dois anos. 

Uma boa opção para conhecer a história da Assembleia de Deus, sob o aspecto das representações sociais criadas por seus membros no decorrer de sua história centenária, vale a pena conhecer o blog Memórias das Assembleias de Deus, coordenado pelo historiador catarinense Mário Sérgio Santana, que mantém também uma fan-page no Facebook, alimentada continuamente com material fotográfico enviado por assembleianos de todo o país. 

Assim, deixo hoje meu abraço especial a todos os assembleianos do país! 

Veja também:



sexta-feira, 31 de maio de 2013

Simpósio Internacional de História das Religiões na USP



Entre os dias 29 e 31 de Outubro de 2013 acontecerá nas dependências da Universidade de São Paulo (USP) o 1º Simpósio da Regional Sudeste da Associação Brasileira de História das Religiões (ABHR), que também será o 1º Simpósio Internacional da entidade, que já realizou treze congressos nacionais (o 14º acontecerá em setembro de 2014 na PUC-PR). O tema será "Diversidades e (in)tolerâncias religiosas"

Diversas atividades  foram propostas para o evento, que aceita propostas de apresentação de trabalhos nos GTs até o dia 20 de junho e inscrição de ouvintes (com direito a certificado) até o dia 31 de agosto (com vagas limitadas).

Há diversas temáticas relacionadas aos mais variados temas de estudos acadêmicos sobre a realidade religiosa brasileira. Destaco aqui o GT 19: "Pentecostalismos no Brasil: novas perspectivas", coordenado pelos Drs. Gedeon Freire de Alencar e Marina Correa, estudiosos do fenômeno da Assembleia de Deus no Brasil.

Há ainda o GT 17: “No templo, no quartel e no porão: os protestantes e a ditadura militar brasileira", coordenado pelo Dr. Leonildo Silveira Campos e o doutorando Leandro Seawright Alonso, ambos membros do grupo que pesquisa a atuação das igrejas protestantes na ditadura militar na Comissão da Verdade, instituída no ano passado pelo governo federal.

Religião e Violência é o tema do GT 23, coordenado pelos Drs. Edin Sued Abumanssur e Vagner Marques.   No total são 28 GTs sobre variados temas.

Mais informações podem ser obtidas no site do evento: http://www.sudesteabhr.net.br



sexta-feira, 17 de maio de 2013

Minicurso sobre a história do pentecostalismo na UNESP


Na próxima semana, entre os dias 20 e 23 de maio de 2013, acontecerá na Universidade Estadual Paulista, UNESP - Campus de Assis, a 30ª edição da Tradicional Semana de História. O tema escolhido para este ano será: "Memórias, Imagens e Narrativas". Além das conferências, mesas-redondas e GTs, está programada a realização de 8 minicursos, sobre variados temas.

Na ocasião estarei ministrando o minicurso número 5: "Pentecostalismo no Brasil: origens, características e expansão". Segue o resumo da proposta: 


Os pentecostais são o grupo religioso que mais cresceu no Brasil no século XX, o que pode facilmente ser verificado observando-se os números dos últimos censos demográficos. Além disso, é perceptível a exposição cada vez maior de líderes pentecostais tanto na arena política quanto na esfera midiática. No entanto, os pentecostais não podem ser considerados um grupo homogêneo, haja vista estarem distribuídos em um sem número de instituições religiosas que adotam desde rígidas condutas comportamentais como a proibição dos fiéis em assistir televisão, bem como o uso intenso dos meios de comunicação de massa em outros casos.
Neste minicurso pretendemos traçar um esboço histórico do desenvolvimento das principais denominações pentecostais do país como Assembleia de Deus, Congregação Cristã do Brasil, Igreja do Evangelho Quadrangular, Brasil para Cristo, Deus é Amor, Universal do Reino de Deus, Renascer em Cristo e Bola de Neve, destacando as características peculiares de cada grupo, bem como o perfil socioeconômico de sua membrasia. Daremos particular atenção ao processo de penetração dos pentecostais nas regiões de periferia das grandes metrópoles, espaços em que tais igrejas aparecem com maior vigor.


Alguns dos temas tratados serão:
  • Pentecostalismo: definições do termo
  • Conhecendo a “árvore genealógica” das Igrejas pentecostais brasileiras
  • As origens do pentecostalismo brasileiro: EUA, Suécia e Itália.
  • O campo religioso brasileiro no início do século XX
  • Pentecostalismo ou pentecostalismos? 
  • A fragmentação institucional do movimento.
  • A expansão pentecostal e os movimentos migratórios
  • Pentecostalismo, industrialização e urbanização.
  • As principais igrejas: Assembleia de Deus, Congregação Cristã do Brasil, Igreja do Evangelho Quadrangular, Brasil para Cristo, Deus é Amor, Universal do Reino de Deus, Renascer em Cristo e Bola de Neve.
  • Os pentecostais no Censo 2010
  • Penetração pentecostal na periferia
  • Os pentecostais e suas redes sociais
  • O pentecostalismo e o trânsito religioso na modernidade


    É possível fazer inscrições até Segunda-feira, dia 20. Mais informações no site do evento ou em sua Fan-page

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Evangélicos são tema de capa da Revista de História da Biblioteca Nacional


Não há dúvidas de que o movimento evangélico está em evidência no Brasil. Os números do último Censo apontando a quantidade de fiéis em 42 milhões,  o espaço que a música e a cultura gospel vem conquistando na mídia, bem como o debate de temas religiosos ditando a tônica de campanhas eleitorais têm despertado o interesse de pesquisadores de diversas áreas.

Atendendo a esta demanda, a Revista de História da Biblioteca Nacional reservou a matéria de capa de sua edição do mês de dezembro para o dossiê temático Evangélicos: a fé que seduz o Brasil. A RHBN  reúne mensalmente matérias e artigos de mestres e doutores de conceituadas universidades brasileiras elaborados para atender não apenas a universitários e especialistas em história, mas ao grande público em geral. O dossiê foi organizado pela historiadora Nashla Dahás, doutoranda em história pela UFRJ.

A imagem de capa "Mulher dançando no Espírito" (do acervo do "Centro de Estudos do Movimento Pentecostal") foi comentada pela Profª Karina Bellotti, da Universidade Federal do Paraná, conhecida pelos seus estudos na área de mídia evangélica no Brasil. No site da Revista é possível acompanhar uma entrevista com a Profª Karina.

O dossiê conta com uma reportagem de Alice Melo sobre a cultura dos evangélicos no Brasil, acentuando as mudanças ocorridas no movimento nas últimas décadas. A seguir, o artigo de Silvia Patuzzi (PUC-RJ) resgata as origens do movimento evangélico nas teorias de Martinho Lutero na Europa do século XVI. O texto de Angelo Adriano Faria de Assis (UFV) trata do estabelecimento das primeiras igrejas evangélicas no Brasil nas primeiras décadas do século XIX.
Marcos Alvito (UFF) fala sobre a presença pentecostal nas regiões de periferia das grandes metrópoles, enquanto Ricardo Mariano (PUC-RJ), principal responsável pela disseminação do termo neopentecostal no Brasil, aborda a relação entre religião e política observando a atuação dos parlamentares da bancada evangélica.

Os textos de Eduardo Refkalefsky (UFRJ) e Orivaldo Pimentel Lopes Junior (UFRN) fecham o dossiê ao comentarem as estratégias (conscientes ou não) de crescimento dos pentecostais no Brasil.

A Revista é uma excelente indicação para quem deseja se aproximar desta área de estudos cada vez mais complexa e intrigante. Mais informações podem ser obtidas no site da Revista. 

sábado, 3 de novembro de 2012

Novo número da Revista Brasileira de História das Religiões: texto sobre a Assembleia de Deus



O Grupo de Trabalho "História das Religiões e das Religiosidades" da "Associação Nacional de História" (ANPUH) acaba de lançar o novo número da Revista Brasileira das Religiões. A publicação é referente ao 2º quadrimestre de 2012.
A revista, que está em seu 13º número, reúne artigos científicos de pesquisadores de diferentes instituições sobre as mais variadas manifestações religiosas. A publicação é eletrônica e os arquivos estão disponíveis gratuitamente no site da Revista (clique aqui)
Neste novo número (disponível aqui)  há um artigo que escrevi sobre a Igreja Assembléia de Deus no Brasil, onde abordo a utilização das biografias dos seus fundadores sob a perspectiva da memória coletiva.
Há ainda outros onze artigos que estudam temas diversos, como as religiões escandinavas, a Renovação Carismática Católica e a Igreja Bola de Neve. Para os interessados no estudo acadêmico das religiões vale a pena conhecer!

Abraço a todos e todas e boa leitura!

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

Lançamento: Evangélicos e Periferia Urbana em São Paulo e Rio de Janeiro


Foi lançado em Setembro de 2012 o livro "Evangélicos e periferia urbana em São Paulo e Rio de Janeiro: estudos de sociologia e antropologia urbanas". O livro pode ser adquirido no site da Editora CRV (clicando aqui
Organizado pelo Prof. Dr. Paulo Barrera do programa de pós-graduação em Ciências da Religião da Universidade Metodista de São Paulo e com textos de Norbert Foerster, Wania Mesquita (UFNF), Marcos Ribeiro, Claudio Noronha, Haller Schünemann, Vlademir Ramos, Williani Carvalho, Edemir Antunes e com prefácio do Prof. Enzo Pace (Univ. de Padova), o livro é fruto dos trabalhos do Grupo de Pesquisas Religião e Periferia na America Latina Univ. Metodista / Fapesp)
O sexto capítulo é um texto de minha autoria onde falo sobre as igrejas pentecostais no bairro paulistano de Perus. 

Eis a sinopse do livro no site da Editora: 

A reflexão acadêmica sobre a presença de igrejas evangélicas pentecostais no meio urbano remonta a já clássica obra de Cândido Procópio Camargo nos anos 1970. O pentecostalismo funcionaria para ele como uma referência simbólico/social para populações que, fruto do êxodo rural, aportavam à cidade em situação de anomia e desenraizamento.
De lá para cá, com o adensamento populacional nas grandes metrópoles brasileiras, formaram-se imensas faixas de periferia ao redor destes centros urbanos, geralmente carentes dos serviços básicos de infraestrutura. Estudos demográficos como o Atlas de filiação religiosa e indicadores sociais no Brasil de César Romero Jacob e equipe revelam que nesses espaços urbanos periféricos concentra-se um alto percentual de adeptos do pentecostalismo.
É sobre este fenômeno que muito oportunamente o livro Evangélicos e periferia urbana em São Paulo e Rio de Janeiro. Ensaios de antropologia e sociologia urbanas vem se debruçar. Evitando soluções fáceis, como a associação “naturalizada” entre pentecostalismo e pobreza, escudado em pesquisas de campo, entrevistas nas áreas periféricas e favelas do Rio e de São Paulo, revela toda uma complexidade de articulações entre a condição de morador de periferia e a pertença/preferência pentecostal. A escolha pentecostal aparece nas páginas deste livro em sua diversidade de alternativas, ora como instrumento de organização e contestação, ora como conformismo e utilitarismo.
Por fim, um livro produzido na interface entre uma sociologia/antropologia da religião com uma sociologia/antropologia urbana, onde ambas iluminam-se mutuamente, tendo como resultado uma análise densa desta realidade candente do Brasil contemporâneo.

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Prof. Paulo Barrera faz seu comentário sobre o livro "Evangélicos e periferia urbana em São Paulo e Rio de Janeiro"


Dia 19 de Setembro aconteceu no auditório do edifício Capa na Universidade Metodista de São Paulo o lançamento do Livro "Evangélicos e Periferia Urbana em São Paulo e Rio de Janeiro". Fruto de pesquisas do GP Religião e Periferia Urbana na América Latina, o livro apresenta apresenta em seus dez capítulos pesquisas de campo e discussões teóricas sobre o crescimento das igrejas pentecostais em diferentes contextos de periferia (São Bernardo do Campo, Rio de Janeiro, Rio Grande da Serra e Perus. Participaram do debate de lançamento os professores Marcelo Camurça (UFJF), Luci Praun (Metodista) e Silas Guerriero (PUCSP). No site da editora (aqui) é possível visualizar o sumário e a Introdução da obra.
No vídeo acima, gravado no dia do lançamento pela equipe da Universidade Metodista, o Prof. Paulo Barrera, organizador da obra e coordenador do Repal falou sobre a proposta geral do livro, problematizando a simplificação de associar crescimento religioso à pobreza.
O livro pode ser adquirido no site da Editora CRV.
O professor Paulo Barrera possui graduação em Ciencias de la Religión pela Universidad Nacional de Heredia (1987), Mestrado em Estudos Latino-americanos na Faculdade de Filosofia y Letras da Universidad Nacional de Heredia (1990) e Doutorado em Ciências Sociais e Religião pela Universidade Metodista de São Paulo (1999). 

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Evangélicos na política



O texto abaixo foi publicado originalmente no nº 731 da Revista Eletrônica Observatório da Imprensa (http://observatoriodaimprensa.com.br/news/view/_ed713_evangelicos_na_politica). Foi escrito pela Profª Magali do Nascimento Cunha da Universidade Metodista de São Paulo 

O texto a seguir foi elaborado a partir de uma proposta de entrevista feita pelo professor José Faro, meu colega no Programa de Pós-Graduação em Comunicação Social da Universidade Metodista de São Paulo, sobre o caso “religião na campanha de Russomanno à Prefeitura de São Paulo”. Ele desejava publicar a entrevista como complemento a outra que dei ao Instituto Humanitas, IHU, da Universidade do Vale dos Sinos (Unisinos), no seu blog “História, Cultura e Comunicação”. Meu entusiasmo com a reflexão me fez produzir um artigo, que Faro publicou na íntegra. Partilho aqui o conteúdo do artigo, que pode ser reproduzido, mas sob a condição de se registrar que é fruto do meu diálogo com o professor José Faro e que foi originalmente publicado no blog “História, Cultura e Comunicação“.
A campanha para as eleições municipais 2012 na cidade de São Paulo foi apimentada pela destacada ascensão do candidato a prefeito Celso Russomanno (PRB) à liderança isolada na disputa no mês de setembro. Russomanno, que demonstrava bons índices antes do início da campanha pelo horário eleitoral gratuito no rádio e na TV, apareceu como líder isolado na pesquisa Datafolha divulgada no final de agosto com 31% das intenções de voto, contra 22% de José Serra (PSDB) e 14% de Fernando Haddad (PT).
A consolidação destes números durante a primeira quinzena de setembro transformou a polarização frequente em eleições em São Paulo – PT vs. PSDB (ou seus respectivos aliados) – para Russomanno vs. Serra/Haddad, que passaram a atacar o seu novo principal opositor. E foi neste processo de ataques que emergiu a questão da religião na política como algo a se combater. Russomanno passou a ser apresentado como “o” candidato da Igreja Universal do Reino de Deus (IURD), com compromissos com esse grupo. Isso porque o PRB (Partido Republicano Brasileiro), partido ao qual Russomanno se filiou em 2011 para disputar a Prefeitura de São Paulo depois de deixar o Partido Progressista (o PP, de Paulo Maluf), é conhecido como o “Partido da IURD”. Tendo sido fundado em 2003, por partidários do ex-vice-presidente do Brasil José de Alencar, o PRB já tinha parceria firmada com a IURD: todos os deputados ligados a essa igreja migraram para o partido desde o credenciamento e levou à eleição, em 2008, do bispo Marcelo Crivella (PRB/RJ) como o seu primeiro senador. O PRB ficou conhecido como o braço político da IURD.
Guerra religiosa?
Sob esta “acusação”, dada a má imagem da IURD construída socialmente, em especial pelas mídias, por conta dos escândalos que tratam do enriquecimento ilícito do líder maior da igreja, o bispo Edir Macedo, o PRB sempre tentou descolar sua imagem da religião, mas o fato é que a cada eleição os seus quadros são ampliados com novos pastores e bispos ligados à IURD. O próprio presidente do partido, Marcos Pereira, é bispo licenciado, se apresenta como leigo, advogado, mas é membro da IURD e foi vice-presidente da Rede Record, pertencente à igreja.
José Serra e Fernando Haddad viram nesta trajetória do PRB e nas controvérsias da IURD uma possibilidade de neutralizar o concorrente ameaçador. Até aqui, uma estratégia que em nada surpreende. Nas eleições nacionais de 2010, religião foi tema recorrente para ataques e defesas, em especial em relação a Dilma Rousseff, mas também a Marina Silva. A surpresa nos desdobramentos dos debates em torno da ascensão de Russomanno foi a entrada da Igreja Católica (Arquidiocese de São Paulo) no bombardeio ao candidato. A Arquidiocese publicou uma nota, em 13 de setembro, repudiando um artigo do presidente do PRB Marcos Pereira. O texto, publicado no blog do político há mais de um ano, maio de 2011, criticava o então ministro da Educação Fernando Haddad e seu antigo e derrotado projeto do “kit anti-homofobia” (que ficou conhecido como “kit gay”) e também recriminava a Igreja Católica por ter apoiado tal projeto e por influenciar o ensino público. O artigo voltou a circular pela internet neste tempo de campanha eleitoral. Daí a na nota de setembro de 2012, em que a Igreja Católica, que declarou só agora conhecer o texto, acusa Pereira de promover intolerância religiosa e acrescenta a acusação de ser o PRB “manifestadamente” ligado à IURD.
Marcos Pereira se defendeu alegando que a produção do artigo em seu blog tem relação com a “liberdade de expressão e livre pensamento, sem qualquer conotação política ou eleitoral” e criticou o fato de o texto ter sido usado um ano e quatro meses depois “de maneira indevida, às vésperas da eleição para a Prefeitura de São Paulo”.
Religião na pauta
As críticas a Celso Russomanno, como candidato da IURD e por trabalhar por ela, se intensificaram. Indo além do debate entre políticos, o candidato reclamou publicamente, de acordo com matéria do portal Terra (19/09/2012), estar sendo atacado pela Igreja Católica e que o arcebispo de São Paulo, D. Odilo Scherer, teria orientado padres a recomendarem aos fiéis nas paróquias a não votarem no candidato.
Fato muito interessante em todo este processo é que nova pesquisa Datafolha divulgada em 20 de setembro mostra que os ataques a Russomanno não fizeram efeito: ele segue estável com 35% de intenções de voto, com Serra com 21% e Haddad com 15%.
Todo este acirramento em torno da questão religiosa tem chamado a atenção de pesquisadores da política e da religião e revela como o fenômeno religioso hoje no Brasil, assim como as transformações experimentadas nesse campo, se coloca cada vez mais na pauta da dinâmica sociocultural.
Cenário complexo
Importa observar três elementos:
1 – O lugar da IURD nesse processo e seu poder no quadro de hegemonia do pentecostalismo entre os evangélicos na atualidade como império midiático e na força política, com o quadro de deputados e senadores que elege e se amplia a cada eleição. Força política é elemento significativo aqui, pois a IURD aparece como a igreja que se estabeleceu com um nítido projeto de presença na política nacional como parte do seu jeito de ser igreja e sua consolidação como força social. Não que religião na política seja fato novo, mas a novidade reside no fato de uma igreja estabelecer um projeto, metas, e até mesmo trabalhar na criação de um partido que lhe servisse de braço político. Os últimos números do censo 2010 sobre religião mostram uma queda no número de adeptos da IURD, o que tem gerado uma série de novas avaliações, mas a posição dessa igreja como poder midiático e poder político no país se mostra imutável.
2 – O fato de a Igreja Católica romana entrar nos embates da campanha à Prefeitura de São Paulo é indício de que este poder da IURD está tão forte como sempre se manifestou. E mais: a Igreja Católica traz para o embate uma aliada poderosa que também se vê ameaçada pela aliança PRB-Universal-Record: a Rede Globo. Desde que a Igreja Católica entrou na disputa, o programa SPTV, por meio do jornalista Cesar Tralli, tem pautado o tema do “uso da religião na campanha”. Já foram várias inserções no telejornal sobre tema, com entrevistas aos candidatos, inclusive Russomanno, que se declara católico e se defende, em resposta ao jornalista: “Não existe guerra religiosa nem vai haver.” Esta defesa responde ao tom dos ataques.
3 – É fato que a relação Russomanno-PRB-IURD existe e tem história: Russomanno é jornalista e advogado e tem presença na mídia desde 1986, tendo passado por várias emissoras, com identidade nas abordagens sobre direitos do consumidor. Em 2011, Russomanno foi contratado pela Rede Record, tendo quadro sobre defesa do consumidor em programa jornalístico e em outros de variedades. Deixou a emissora em 2012 para se candidatar à Prefeitura de São Paulo. Suas posições como deputado federal, em especial aquelas contrárias à ampliação de direitos de homossexuais e de direito ao aborto, o aproximaram dos grupos religiosos conservadores, entre eles os parlamentares da Frente Evangélica. Aqui encontramos explicação para a aproximação de outros grupos de evangélicos a Russomanno: já declararam oficial apoio à candidatura as lideranças da igreja Renascer em Cristo e a Assembleia de Deus – Ministério Santo Amaro. Em entrevista à Folha de S.Paulo em junho de 2012, o ministro da Pesca, ex-senador pelo PRB-RJ Marcelo Crivella, afirmou que Russomanno é o candidato mais próximo do eleitor evangélico por conta de sua atuação no Congresso Nacional “em defesa da família e da vida”.
Espaço maior
Ocorre que esta afirmação de Crivella não é regra: um dos ramos mais fortes da Assembleia de Deus, o Ministério de Belém, liderado pelo pastor José Wellington Bezerra da Costa, declarou apoio a José Serra, da mesma forma que a Igreja Mundial do Poder de Deus, hoje em conflito com a IURD. Já o Ministério do Brás (ligado ao Ministério Madureira, das Assembleias de Deus, a segunda das mais fortes vertentes, liderado pelo deputado e pastor Manoel Moreira), apoia Gabriel Chalita (PMDB). Ou seja, as igrejas midiáticas, como a IURD e a Renascer em Cristo, e as de força numérica, como as Assembleias de Deus, fazem opções distintas tentando medir força e ganhar status social e espaço no campo religioso com seus apoios, mas apresentam um elemento em comum: apoiam candidatos cujas posturas e discursos se colocam na posição de centro-direita, próxima das posturas ideológicas dessas lideranças evangélicas que vêm de uma tradição de leitura sociocultural conservadora, em especial nas questões voltadas à moralidade.
Da mesma forma, para além das questões da moralidade sexual/familiar, os grupos evangélicos não revelam ter posicionamentos contundentes quanto às questões nacionais (economia/finanças, trabalho, cultura, meio-ambiente, a própria política). Suas preocupações são estreitas e pragmáticas: visam, por meio de suas ações na política (apoios ou campanhas para seus próprios candidatos), a obter benefícios para a própria subsistência como igrejas. Por isso, apoiam candidatos que prometem assegurar direitos das igrejas e assistência a causas bem específicas. O pastor presidente das Assembleias de Deus – Ministério Santo, Amaro Marcos Galdino, por exemplo, justifica o apoio a Russomanno, pois ele diz que vai regularizar a situação de igrejas que, como o Ministério em Santo Amaro, são alvo de processos administrativos da Prefeitura, conforme depoimento ao Estado de S. Paulo em 7 de setembro. Candidatos conhecem bem esta característica do jeito evangélico de fazer política e negociam a partir daí.
Nesse sentido, é possível concluir que evangélicos que dão visibilidade aos seus apoios políticos se lançam num embate que revela suas próprias disputas por poder nesse campo religioso tão diverso. Basta ver o caso das Assembleias de Deus e suas divisões: cada ministério apoia um candidato. Ou o caso da IURD vs. Igreja Mundial do Poder de Deus: apoiam candidatos distintos. Quem vencer, alcança apoio para seus próprios interesses e maior espaço no campo religioso em disputa e ainda ganha pontos no reconhecimento pelas defesas da moral social e da família.
E os fieis?
E os fieis? São fieis também no atendimento ao apelo dos líderes por votos? A fórmula pastor manda = fiel obedece não é tão automaticamente aplicável. Em pesquisas, significativo número de evangélicos responde que “talvez” obedeça ao pastor. Isso porque há fatores mais fortes, relacionados à dinâmica social, que determinam a decisão do voto: fatores econômicos e fatores culturais, muito especialmente. O grande exemplo foi a eleição de Dilma Rousseff em 2010, cuja campanha foi bombardeada por lideranças evangélicas conservadoras, antidireitos homossexuais e antiampliação do direito ao aborto. Dilma foi eleita com expressivo voto de evangélicos. Nesse caso, o reconhecimento das políticas sociais de Lula que teriam continuidade falou mais forte.
Uma pesquisa Datafolha de 14 de setembro, no calor das acusações contra Russomanno por estar “usando” a religião na sua campanha, revela que o engajamento de líderes evangélicos na campanha dele e na de José Serra não tem surtido benefícios numéricos. Diz a matéria de Ricardo Mendonça:
“Desde março, quem cresce de forma constante junto aos evangélicos é Fernando Haddad (PT), o único dos três primeiros que não ostenta apoio explícito de pastores. Em março, Haddad tinha 4% das intenções de voto entre os pentecostais. Saltou para 13% em agosto e, na última pesquisa, obteve 15%. Entre os não-pentecostais, foi ainda melhor. Atingiu 22%. Filiado à sigla comandada por membros da Igreja Universal, Russomanno caiu 17 pontos entre os não-pentecostais na última rodada, sua maior queda em todos os segmentos. Entre os pentecostais, oscilou três para baixo. Já Serra, que tem feito visitas frequentes a cultos, caiu 12 pontos entre os pentecostais desde março. E apesar de ter subido de 14% para 24% entre os não-pentecostais na última rodada, ainda está dez pontos abaixo do que já teve. Serra é apoiado pelo maior ramo da Assembleia de Deus, por igrejas menores, e foi abençoado por Valdomiro Santiago, da Igreja Mundial. Ainda assim, tem 50% de rejeição entre pentecostais e 47% entre não-pentecostais” (FSP, 14/09/2012, online).
Portanto, tratar o tema evangélicos na política, ou o caso Russomanno, é tratar tema complexo que não passa tão só pela questão religiosa, pelo poder que líderes religiosos se atribuem ou pela obediência de fieis a esses líderes. É dinâmica complexa que inclui disputas por poder e hegemonia no campo religioso, ambição dos políticos que veem no pragmatismo dos evangélicos fonte para suas barganhas de campanha, concorrência de grupos que competem por poder sociopolítico e econômico como as empresas de mídia. No meio disto tudo está a fé, a crença, a religião, sonhos e esperanças de muita gente que ainda acredita haver um Deus no meio disto tudo. Se houvesse, e Ele declarasse o seu voto, provavelmente seria nulo.
***
[Magali do Nascimento Cunha é jornalista, doutora em Ciências da Comunicação, professora da Universidade Metodista de São Paulo e autora do livro A Explosão Gospel. Um Olhar das Ciências Humanas sobre o cenário evangélico contemporâneo (Ed. Mauad)]

www.observatoriodaimprensa.com.br

sexta-feira, 29 de junho de 2012

Os pentecostais no Censo 2010: Assembléia de Deus chega aos 12 milhões. Igreja Universal e Congregação Cristã diminuem


Na manhã deste dia 29 de junho, o IBGE divulgou os resultados do Censo 2010 sobre religião. Como já comentamos na postagem anterior, os evangélicos chegaram à cifra de 42,3 milhões (22,2% da população). O ano da realização do Censo coincidiu com o centenário da chegada do pentecostalismo ao Brasil. De acordo com os dados do IBGE, 6 de cada 10 evangélicos brasileiros declara-se pentecostal.
O ranking das cinco maiores igrejas pentecostais do país permaneceu inalterado, porém, apresentou interessantes diferenças em relação ao Censo 2000.
A Igreja Assembléia de Deus apresentou um crescimento de 46%, saltando dos 8,4 milhões de membros para 12,3 milhões, continuando a ser a maior igreja evangélica e o segundo maior grupo religioso do país, perdendo em números apenas para a Igreja Católica. Vale a pena lembrar que o Censo não faz distinção entre os diferentes ministérios da AD. Assim, os 12 milhões de assembleianos estão espalhados em uma série de ministérios e convenções independentes, das quais a maior e mais antiga é a CGADB (Convenção Geral das Assembléias de Deus no Brasil), fundada em 1930. Há diversos ministérios dentre os quais destacam-se: Belém, Madureira, Perus, Ipiranga, Santos, Bom Retiro, dentre centenas de outros.
Algo curioso diz respeito à diminuição do número de membros das Igrejas Congregação Cristã do Brasil e Universal do Reino de Deus. A Congregação, amplamente conhecida pelos seus templos de cor cinza e janelas com arcos góticos, perdeu quase 200 mil fiéis, passando de 2,4 para 2,2 milhões de membros. No entanto, continua sendo a segunda maior igreja pentecostal do país. Diferentemente da Assembléia, a Congregação Cristã não está dividida em ministérios, representando, portanto, uma única instituição.
Impressiona também a diminuição do número de membros da Igreja Universal do Reino de Deus, amplamente conhecida pelo intenso uso dos meios de comunicação para divulgação de sua mensagem. A IURD passou de 2,1 milhões para 1,8 milhões, o que indica que o trânsito religioso entre diferentes igrejas tem afetado a denominação. Vale a pena comentar aqui o surgimento da Igreja Mundial do Poder de Deus, que tem se transformado em uma das principais opções para quem deixa a IURD. No Censo, a Igreja Mundial não foi classificada individualmente, estando agrupada no grupo "Outras igrejas evangélicas de origem pentecostal", do qual falaremos mais a frente.
A Igreja do Evangelho Quadrangular e a Igreja Deus é Amor (que em junho deste ano completou seu jubileu de ouro), aumentaram o seu número de membros. Enquanto a IEQ saltou de 1,3 milhão para 1,8 milhão, a IPDA ganhou 70 mil membros, passando dos seus 774 mil para os 845 mil adeptos.
A Igreja O Brasil para Cristo passou de 175 mil para 192 mil, a Maranata de 277 mil para 356 mil, a Casa da Benção de 128 mil para 125 mil e a Vida Nova (de onde se originou a Universal) de 92 mil para 90 mil.
Também merece destaque o crescimento do grupo "Outras igrejas evangélicas de origem pentecostal", que passou de 1,8 para 5,2 milhões (!). Deste grupo fazem parte igrejas mais conhecidas como Renascer em Cristo, Igreja da Graça, Mundial do Poder de Deus e Avivamento Bíblico, além das variadas igrejas pentecostais autônomas, presentes em uma variada gama de diferentes congregações, espalhadas principalmente pelas regiões de periferia das grandes metrópoles. (em minha pesquisa de mestrado, realizada no bairro paulistano de Perus em 2010, encontrei cerca de 60 diferentes denominações pentecostais em um bairro com 70 mil habitantes). O crescimento de 3,4 milhões de pessoas neste grupo, bem como o aumento de 180 mil para 777 mil dos que se denominam como membros de "Comunidades Evangélicas" indica interessantes mudanças comportamentais, institucionais e doutrinárias no campo religioso pentecostal brasileiro.
Este é apenas um olhar preliminar sobre o Censo. Sem dúvida, há muito o que se pesquisar entre todos estes números!

Acabam de ser divulgados os resultados do Censo 2010 sobre Religião


O IBGE acaba de divulgar os resultados do Censo 2010 referentes à religião. Também foram divulgados dados sobre cor ou raça, características gerais da população e pessoas com deficiência. 

Uma primeira observação geral sobre os resultados referentes à religião aponta para uma tendência que já vem sendo observada nas últimas décadas: a diminuição do número de católicos e o aumento dos evangélicos (em especial dos pentecostais)  dos sem religião.  
Os católicos passaram de 73,6% da população em 2000 para 64,6% em 2010 (cerca de 123 milhões de adeptos em um universo de 190 milhões de habitantes. No ano 2000 eram 125 milhões em um universo de 169 milhões de habitantes), já os evangélicos passaram de 15,4% para 22,2% (um aumento de 16 milhões em dez anos, já que em 2000 eram 26,2 milhões e chegaram 42,3em 2010). 
Os sem religião, passaram de 7,3% para 8,0%, um aumento de 2,8 milhões. Vale a pena lembrar que o grupo "sem religião" não é formado necessariamente por ateus, mas por pessoas que não estão ligadas a nenhuma instituição religiosa, embora possam exercer suas crenças pessoais. Os ateus propriamente ditos somam  cerca de 615 mil pessoas, enquanto os agnósticos 124 mil. Os espíritas passaram de 1,3% (2,3 milhões) da população para 2,0% (3,8 milhões). Enquanto os praticantes da umbanda e camdomblé mantiveram-se em 0,3% (cerca de 570 mil pessoas em 2010). 
Na próxima postagem comentarei as mudanças nos números das igrejas pentecostais.