quarta-feira, 29 de maio de 2013

Profetiza, filho do homem! Uma reflexão de Ezequiel 37

A passagem bíblica da visão do vale de ossos secos é extremamente conhecida, principalmente nos círculos pentecostais. A narrativa, registrada no 37º capítulo de Ezequiel é sem dúvida a mais conhecida de todo o livro.

A passagem teve um significado especial para seu público leitor original. Ezequiel profetizou em um momento singular da história de Israel: o período de cativeiro babilônico. Neste período, os judeus estavam subjugados a um império estrangeiro que havia destruído a cidade de Jerusalém e acabado com o maior símbolo religioso da nação: o glorioso templo construído por Salomão, marca de um período de riqueza e prestígio conquistado no passado e agora inimaginável para uma nação escravizada pelos idólatras babilônicos.
Nesta época de incertezas Ezequiel, o sacerdote que se transformou em profeta, exercia seu ministério  às margens do rio Quebar na Babilônia, entre o povo cativo.

Na visão do capítulo 37 Deus coloca Ezequiel diante de um vale cheio de ossos sequíssimos e muito numerosos e lhe faz uma pergunta essencial para o entendimento da profecia: "Filho do homem, poderão viver estes ossos?"

Esta pergunta era semelhante àquela feita pelos compatriotas do profeta em sua época: "Será que a nação de Israel poderá reviver? Poderemos ser novamente o que fomos no passado?" A resposta do profeta é emblemática: "Ó Soberano Senhor, tu o sabes!". Expressava de certa forma o sentimento do povo no exílio. Só Deus poderia dizer o que poderia acontecer no futuro com a nação de Israel.

A proposta que Deus fez ao profeta em sua segunda resposta me chamou a atenção e me levou a escrever este texto: "Profetize a esses ossos e diga-lhes: ‘Ossos secos, ouçam a palavra do Senhor'!". Deus estava disposto a fazer o ossos reviverem, desde que o profeta exercesse seu ofício sem medo! O vale deixaria de ser um vale de ossos secos só se Ezequiel profetizasse.

Logicamente não era o poder ou a força de Ezequiel que fariam os ossos reviverem (e o texto deixa isto claro), mas ação do Espírito do Senhor. No entanto, a ação do profeta era essencial.

Não quero utilizar aqui texto de Ez 37 como uma mensagem de auto-ajuda ou para enfatizar bordões como "as suas palavras têm poder" ou "basta profetizar par o milagre acontecer" . Penso que a ordem de Deus para o profeta apresenta aspectos mais profundos: o Senhor queria mostrar-lhe que seu ministério era necessário para que os planos de Deus se concretizassem. O povo só seria restaurado se ouvisse o que os profetas tinham a dizer. Não havia outro caminho. A restauração da nação passava obrigatoriamente pelo caminho de ouvir humildemente o que Deus tinha a dizer por intermédio de seus servos.

Na sequência da visão Ezequiel profetiza, os ossos revivem, ganham músculos e pele e formam um grande exército. Deus estava disposto a fazer o mesmo por seu povo, dando-lhe toda a estrutura necessária para voltarem à sua terra e se transformarem novamente no "grande exército" que fora no passado. Mas para isso, os judeus deveriam ouvir a profecia... e eis o problema. Poucas foram as vezes em que a nação de fato ouviu o que os profetas tinham a dizer.

Deus está disposto a fazer muitas coisas  neste mundo de ossos secos e apodrecidos em que vivemos, mas para isso é essencial que a Igreja cumpra seu papel de transmitir ao mundo de maneira integral aquilo que recebeu da parte de Deus. Para que o mundo seja restaurado e reviva é necessário que a Igreja profetize. Profetizar não é repetir uma série de bordões e palavras de impacto, mas proclamar com autoridade, humildade e senso de justiça o Evangelho restaurador da Cruz de Cristo.

Você está disposto a profetizar?



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